terça-feira, 6 de setembro de 2011

Caleidoscópio Japonês - Compartilhando a Folha e a Fumaça.

Texto escrito em co-autoria de Verônica Hiller do Girl Sets Fire. Do outro lado da moeda, a outra parte da história.
Eu falo, Ela fala. 

Parte I: Caleidoscópio Japonês.

       E eu vi teus olhos negros cristalizando o céu. A imagem formava-se nas tuas pupilas sem fim e refletiam um caleidoscópio brilante. E tu estava lá, abraçada a mim, tua presença notava-se enlaçada de calor em meu corpo. Feito as mãos que seguram uma xícara quente. As tuas mãos frias chocavam-se com a temperatura das minhas. Não haviam palavras. Não havia som. Não havia voz. Só a luz que refletia dos teus olhos e dizia-me 'vem'. Não havia tempo, não havia chão. Éramos só nós e o céu.
       Nós, amantes no Japão, nos compartilhávamos. Um usufruía da presença do outro. Deliciava-mo-nos com as palavras, com os sorrisos, com nossos beijos. Tu virava minha cabeça ao avesso para ver do que eu sou feito. Tu me analisava, me manipulava com teus jogos psicológicos, desejos teus ocultos em elogios discretos. Jogos estes que eu já sabia, mas deixava-me cair neles pois eles simplesmente me levariam para aquilo que eu desejava: você.
De café e cigarros, 
beijos e abraços, 
elogios e egos, 
nós fizemos nossa tarde. 
Nós nos fizemos um pro outro.
Nós nos fizemos felizes.


Parte II: Compartilhando a folha e a fumaça.

       As arestas do teu sorriso diziam-me para não parar de te beijar, minhas mãos suplicavam as tuas. E o vento que vinha, bagunçava teus cabelos, me dizia que teu cheiro já não sairia mais da minha pele. Tuas lágrimas de outrora já haviam secado, eu só me importava com teus sorrisos de agora. Acabou a música mas a poesia não terminou.

       Acabou o esconde-esconde mas a chama não se apagou.

       O incêndio só havia começado. tua língua ferina inflamava o desejo em mim.

       O teu gosto de fumaça que me tirava o ar,

       A chama escarlate na ponta dos teus lábios, teu orgulho auto-suficiente,

       E a tua respiração me dando arrepios, os teus olhos dizendo qualquer coisa impossível de decifrar, e só meu coração esburacado eu conseguia te dar,

       A vontade implícita de nunca mais te largar, suprimida nas linhas dos teus olhos que se desmanchou em um contorno borrado,

       E a luz do chão se acendeu enquanto meus parágrafos já iam sendo teus, e a manta amarela, outrora quieta, carregando os segredos do nosso céu.

       Tua tez irônica me dizia, mesmo assim, que o revés não funciona. a retórica das declarações perdia-se nas palavras de amor.

       “Por que não começamos isso antes?”

       Por entre os galhos e as folhas, cabelos e palavras, já não sabíamos onde isso ia parar, não é dor, é outra coisa: é amor, já dizia qualquer coisa.


Daquele dia que nós nunca esqueceremos.
04/09/11





Um comentário:

  1. Ótimo, lindo, bem escrito.
    Você e Veronica casam lindamente com suas escritas.

    Parabéns.

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